domingo, 27 de maio de 2012

antes de tudo

tateia-me com o olhar, vasculha sem pressa o meu avesso onde às vezes nem eu me reconheço. Onde sou instinto, entranhas, profundezas, carne viva e escarlate que cintila porque o corpo exclama, geme e se contorce, meu corpo te pede. Não sei como, não sei por que, mas quero, e quero de corpo todo que me tomes com as carícias das tuas palavras, me preenchas até que eu transborde de letras e suor. Da tua presença em mim. Não vou me abster ou fugir, quero me aprofundar nessas sensações que me eriçam os pelos e me causam rubor e me fazem deslizar na tua direção. Lânguida. Estou alerta, da janela quase te vejo chegar. Saiba, tenho um beijo úmido surgindo nos lábios

assim como teu nome

e uma taça de vinho para marcar nosso instante.


                                            
o tempo, ele não existe.


segunda-feira, 9 de abril de 2012


eles

teus olhos são feitos de sonhos
teus olhos, a alma do mundo
são dois corações
plenos
puros de poesia
imensidão de
cores e sensações
que se traduzem
no indizível.

vida.

Foto de Daniel Casares Román

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012


NOSSA CANTIGA

Convido-a todas as noites prum passeio antes de dormir. Ela vem saltitando na ponta dos pés. Pés descalços da menina moleca de olhos grandes que tem a doçura e as mil cores de quem só conhece a alegria. E me leva pela mão, pela trilha de nuvens, me ensina a ser leve e flutuar. E ser.

São ternos e nossos os momentos. De jogar a cabeça pra trás numa gargalhada com os cabelos enfeitados de estrelas e preencher o céu de bolhas de sabão. E descer quicando até a ponta do arco-íris, brincar de fazer malabarismo com a auréola dos anjos e ainda ter fôlego pra pular com os carneirinhos que a gente conta. Um por um. Até eu começar a bocejar.

Quando eu esfrego os olhos com sono ela entende. Chegou a hora.

Ela segura minha mão até que eu adormeça.
Que minha criança não me esqueça.


domingo, 12 de fevereiro de 2012


É um enigma, você sabe
(O papo que virou post)

Puxe o fio e desate os nós do fetiche sem pensar em abstração. Agora, o concreto. Indiscreto. Mantenha aquela pitada de discordância, a cereja do bolo que o lobo adora – e devora. Tome fôlego e pule a encruzilhada de mão com Ariadne, pois a linha não é reta. E o voo é cego. Agora, outro tipo de duelo. Que é uma provocação sem capa de gabardine na esquina à espera do clique do olhar. O conteúdo será revelado se entender o silêncio dos lábios entreabertos que também assistiram ao filme. Decifre o mapa. Com as mãos.
 
A dança é nas nuvens daqui a cinco dias.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ENTRE HORAS


No rastro da madrugada o pensamento marginal vira palavra, risca a pele que pinga letra e suor fora do verso. Os poros se alargam e se entopem. Sou, serei, fui eu que cometi esse desvario que ultrapassa lençóis e se acumula sob as unhas? Ah, é a palavra, tinha que ser. Nela embarco e dela bebo e me aproveito, busco o traço sem escassez, exponho meu sentimento até que o verbo rasgue, a tinta seque, até eu pecar pelo excesso de paixão na última linha. E, quando me dou por satisfeita, tomba o corpo rubro pelo prazer soletrado. Ponto - de exclamação.

Não mais aquela de ontem.

Reticências.